INCA alerta para crescimento preocupante de casos de câncer colorretal
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Pessoas entre 18 e 50 anos estão cada vez mais sendo diagnosticadas com câncer, principalmente câncer colorretal. Essa perigosa tendência já observada nos Estados Unidos chegou ao Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) na sua mais recente estimativa de casos da doença no país, divulgada esse mês.

Quando falamos na epidemiologia do câncer, usamos como base dados mapeados pelo INCA a cada triênio. No último Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, foram divulgadas as estimativas para os anos de 2026 a 2028. No total, estão previstos mais de meio milhão de novos casos de câncer a cada ano no Brasil, 517.770 novos casos, para ser mais exato, excluindo os números de câncer de pele não melanoma.
O câncer colorretal é o terceiro mais comum, com cerca de 53.800 novos casos a cada ano, atrás apenas de mama e próstata. A incidência é maior entre as mulheres, com 27.540 novos casos previstos, diante dos 26.270 diagnósticos entre os homens.
Esses 53.800 representam um crescimento de mais de 8 mil casos em relação à estimativa do triênio anterior (45.630 entre 2023 e 2025). Parte desse crescimento ocorre principalmente na população mais jovem, entre 18 e 50 anos. E isso acende um alerta.
Por que a preocupação com esse aumento?
O câncer colorretal é, ou era, mais comum na terceira idade. Porém, mudanças nos hábitos das pessoas podem estar acelerando o desenvolvimento da doença. Aqui precisamos debater dois pontos: essas mudanças de hábitos, especialmente na alimentação; e as políticas de rastreamento atuais da doença.
Sabe-se que entre 30% a 50% dos casos de câncer no cólon e no reto em com causa hábitos de vida, como o tabagismo, etilismo, obesidade, sedentarismo e uma dieta inapropriada, onde se observa alto consumo de carne vermelha e de alimentos ultraprocessados, com baixa ingestão de fibras, frutas e verduras.
Hoje, 6 a cada 10 brasileiros estão acima do peso, segundo dados do Ministério da Saúde por meio da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). Esse é um aumento considerável nas últimas duas décadas: em 2008, por exemplo, 40% da população era considerada acima do peso.
Cabe também destacar o tabagismo como um fator de risco preocupante não só para o câncer colorretal, como para outros tipos de tumores e doenças cardiovasculares. O uso do cigarro eletrônico teve um expressivo crescimento de 600% nos últimos anos, segundo o instituto de pesquisas Ipec. A adesão foi principalmente dos mais jovens, que adquirem os chamados vapes em meio à pressão social e à absurda propaganda de que se trata de uma forma saudável de fumar - o que é uma enorme mentira.
Serão necessárias mudanças no rastreamento do câncer colorretal?
Atualmente, o rastreamento é indicado para toda a população entre 50 e 75 anos de idade, com a realização do exame de colonoscopia com periodicidade entre 5 e 10 anos, a depender de casos como histórico familiar ou a detecção de pólipos em exames anteriores.
A colonoscopia é considerada padrão-ouro para o rastreamento: além da precisão em encontrar esses pólipos, também permite removê-los, pois oferecem risco para desenvolvimento do câncer. Além disso, possibilita maior chance de diagnóstico precoce e, portanto, aumenta as possibilidades de um tratamento mais eficaz, com menos complicações e mais qualidade de vida para o paciente.
Com o aumento de casos de câncer colorretal abaixo dos 50 anos, a questão que fica é se é necessária a indicação da colonoscopia como rastreamento para uma faixa etária menor. Nesse momento, teve início debate no Brasil e em outros países para que seja o exame seja indicado entre 40 e 45 anos.
Uma alternativa que pode contribuir, nesse momento de reflexão, é a realização do exame de sangue ocultos nas fezes para essas faixas etárias, porque, apesar da colonoscopia ser um exame seguro e confiável, trata-se de um procedimento com uma preparação mais complexa para ser realizada em mutirões ou campanhas do tipo, como é a mamografia para o câncer de mama, por exemplo.
O que nós da comunidade médica podemos fazer diante desse cenário?
É nossa missão, ao lado de outros agentes da sociedade, trabalharmos massivamente na comunicação e propagação desses dois assuntos que abordei aqui: os fatores de risco e o rastreamento do câncer colorretal.
Os casos da doença devem aumentar cada vez mais e essas mudanças de comportamento podem influenciar diretamente na redução da doença. Buscar um estilo de vida mais saudável, praticar atividade física regularmente, ter mais cuidado com o que coloca no prato e realizar os exames de rastreamento são ações essenciais.







